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Sabores de Verão

Praia, esplanada, jardim, casa. Esteira, cadeira, banco, poltrona. Qualquer lugar, qualquer assento, que ofereça um mínimo de conforto e fresco é bom para abrir um livro e partir à descoberta! De novas aventuras, sensações e sabores.

Os livros dão-nos a saborear o que temos dentro e o que temos fora de nós.

2021-07 - Poesia no campo
Fotografia de Aaron Burden no Unsplash

Ler dá sabor à vida. Ler poesia dá vida ao sabor.

Recentemente, numa nutritiva troca de mails, recebi do outro lado o seguinte:

“Ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer.”

Versos que fazem parte de “A Defesa do Poeta”, texto de Natália Correia. Autora a quem, salvo raras exceções, ainda mal não tive coragem de mordiscar, enquanto poetisa.

Guardo-a na memória, como guardo João Villaret, Mário Viegas. Através deles tive o primeiro contacto com a poesia, na minha infância, pela televisão. Lembro-me de os ficar a ver e a ouvir durante muito tempo, presa ao ecrã, sem perceber o que diziam. Sentia que era algo de outra estratosfera, algo que alguém devia perceber.

Achava a presença deles na televisão muito solene. Mais do que as imagens do Vaticano. Mesmo quando Mário Viegas humorizava, eu entendia o gozo, mas pressentia que por debaixo da jocosidade estava algo bem diferente de tudo o que eu conhecia do mundo.

Demorei anos a perceber que, o que eu achava sublime, mas não entendia, não conhecia nem conhecia ninguém que conhecesse, era poesia.

Reconheci a poesia, na adolescência, mas levei anos a amealhar coragem para lhe tocar. Hoje, dentro da idade que dizem ser adulta, provei ainda tão pouco. Petisco nos poetas, dou-lhes dentadinhas. Temo não saber degustar, temo engasgar-me. Sejam mais ousados do que eu: não esperem! Não hesitem! Aos 6 ou aos 106: comam e bebam poesia! Ao gelado e à bebida refrescante dos dias quentes adicionem poemas!…

Ajuda na digestão de emoções, proporciona momentos de descanso e lazer e contribui para a reposição de energias, por isso, no autocuidado do cuidador deve estar sempre uma boa dose de leitura, poesia incluída!

Antonieta Félix

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Por Antonieta Félix

Acredita que os duendes do fim do arco-íris não guardam um pote de ouro e sim um pote de mel e até lhe provarem o contrário, quer ler, escrever, ouvir e contar estórias.
Alentejana de todos os costados, na infância quis ser cabeleireira, na adolescência jornalista, na juventude optou por uma licenciatura em Relações Internacionais. Trabalhou e deu aulas a adultos, em Lisboa, até o Alentejo a chamar de volta. Regressou e tornou-se correspondente do jornal Público.
Participou num projeto de promoção do livro e da leitura de uma autarquia, em que, entretanto, ingressou. Procura, desde então, novos caminhos na leitura, na escrita e nas estórias.
Certo dia, aceitou um convite para contar em público algumas estórias suas, o que fez o mundo girar na rotação inversa.
Antes e depois desse dia, colaborou com jornais e revistas e publicou contos avulsos. Depois disso, e por causa disso, publicou seis livros infantis e atreveu-se a contar mais estórias, suas, de outros autores e de outras eras.
Recentemente, escreveu sobre música no jornal “Diário do Alentejo”, em 2017 e 2018; foi voluntária, como contadora de estórias, numa associação de apoio a vítimas de violência doméstica, em 2019; fez a pós-graduação “A Arte de Contar Estórias” e criou o grupo de mulheres contadoras de estórias “As Rodelas”, em 2021.
Para o futuro, tem como previsão única o aparecimento ocasional do arco-íris…