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Mês de sensibilização para a demência

Desde 2011, Setembro é o mês de sensibilização para a demência e para a doença de Alzheimer. Nesta altura reúnem-se pessoas de todo o mundo para sensibilizar e desafiar o estigma que persiste em torno da demência.

Este ano, o tema é “Conheça a demência, conheça a doença de Alzheimer” e relaciona-se com o poder do conhecimento. Durante a campanha, estamos a destacar os sinais de alerta da demência e a importância de um diagnóstico atempado.

Alzheimer’s Disease International (ADI)

É também referido, pela Alzheimer’s Disease International (ADI), neste mês de sensibilização para a demência, a importância de procurar informação, aconselhamento e apoio, e potencialmente um diagnóstico. Isto porque nos torna mais aptos a preparar, planear e a adaptarmo-nos para o que for necessário, para lidar melhor com a doença.

No site da Alzheimer’s Disease International (ADI) pode ainda:

  • ter acesso aos materiais da campanha deste ano (2021);
  • registar-se para o lançamento do Relatório Mundial sobre Alzheimer

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Mês de sensibilização para a demência

Desde 2011, Setembro é o mês de sensibilização para a demência e para a doença de Alzheimer. Nesta altura reúnem-se pessoas de todo o mundo para sensibilizar e desafiar o estigma que persiste em torno da demência.

Este ano, o tema é “Conheça a demência, conheça a doença de Alzheimer” e relaciona-se com o poder do conhecimento. Durante a campanha, estamos a destacar os sinais de alerta da demência e a importância de um diagnóstico atempado.

Alzheimer’s Disease International (ADI)

É também referido, pela Alzheimer’s Disease International (ADI), neste mês de sensibilização para a demência, a importância de procurar informação, aconselhamento e apoio, e potencialmente um diagnóstico. Isto porque nos torna mais aptos a preparar, planear e a adaptarmo-nos para o que for necessário, para lidar melhor com a doença.

No site da Alzheimer’s Disease International (ADI) pode ainda:

  • ter acesso aos materiais da campanha deste ano (2021);
  • registar-se para o lançamento do Relatório Mundial sobre Alzheimer

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Mês de sensibilização para a demência

Desde 2011, Setembro é o mês de sensibilização para a demência e para a doença de Alzheimer. Nesta altura reúnem-se pessoas de todo o mundo para sensibilizar e desafiar o estigma que persiste em torno da demência.

2021-09-09 - Lulu e os Maiores - ADI Mes demencia
Conhecer a demência – A importância de um diagnóstico oportuno (fotografia de Alzheimer’s Disease International – ADI)

Este ano, o tema é “Conheça a demência, conheça a doença de Alzheimer” e relaciona-se com o poder do conhecimento. Durante a campanha, estamos a destacar os sinais de alerta da demência e a importância de um diagnóstico atempado.

Alzheimer’s Disease International (ADI)

É também referido, pela Alzheimer’s Disease International (ADI), neste mês de sensibilização para a demência, a importância de procurar informação, aconselhamento e apoio, e potencialmente um diagnóstico. Isto porque nos torna mais aptos a preparar, planear e a adaptarmo-nos para o que for necessário, para lidar melhor com a doença.

No site da Alzheimer’s Disease International (ADI) pode ainda:

  • ter acesso aos materiais da campanha deste ano (2021);
  • registar-se para o lançamento do Relatório Mundial sobre Alzheimer

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Kit de inclusão para pessoas com demência

Sabia que a OMS – Organização Mundial de Saúde lançou em agosto de 2021 um “kit” de inclusão para pessoas com demência?

2021-09 - ONU kit demencia
Fotografia de Banco Mundial/Miso Lisanin (fonte: ONU) – Existem mais de 1 bilhão de pessoas acima de 60 anos. A maioria vive em países de rendas baixa e média

A Organização Mundial da Saúde, OMS, criou um guia sobre sociedades inclusivas para pessoas que vivem com demência.

ONU – Organização das Nações Unidas

Guia

O guia está disponível, de momento, apenas em inglês.

Plano Global

Este ano, a ONU iniciou a Década do Envelhecimento Saudável, que se prolonga até 2030. Com o kit, a OMS apresenta módulos que podem ser usados separadamente e adaptados de acordo com as necessidades dos usuários.

A compreensão da demência e ambientes favoráveis a quem vive com essa condição são algumas das áreas de ação do Plano Global sobre a Resposta Pública à Demência 2017-2025.

A ONU acredita que com um melhor entendimento, as comunidades que abrigam essas pessoas podem ajudá-las a viver de forma segura, digna e com razão de ser.

ONU – Organização das Nações Unidas

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Mês de sensibilização para a demência

Desde 2011, Setembro é o mês de sensibilização para a demência e para a doença de Alzheimer. Nesta altura reúnem-se pessoas de todo o mundo para sensibilizar e desafiar o estigma que persiste em torno da demência.

Este ano, o tema é “Conheça a demência, conheça a doença de Alzheimer” e relaciona-se com o poder do conhecimento. Durante a campanha, estamos a destacar os sinais de alerta da demência e a importância de um diagnóstico atempado.

Alzheimer’s Disease International (ADI)

É também referido, pela Alzheimer’s Disease International (ADI), neste mês de sensibilização para a demência, a importância de procurar informação, aconselhamento e apoio, e potencialmente um diagnóstico. Isto porque nos torna mais aptos a preparar, planear e a adaptarmo-nos para o que for necessário, para lidar melhor com a doença.

No site da Alzheimer’s Disease International (ADI) pode ainda:

  • ter acesso aos materiais da campanha deste ano (2021);
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Iniciativas para pessoas com demência

Em Lisboa, a partir de setembro…

Partilhamos hoje uma das várias iniciativas que existem para pessoas com défice cognitivo ou demência. Trata-se do programa «Marcar o Lugar – Encontros no Museu», a decorrer em vários locais, e neste caso no Museu de Lisboa.

As pessoas interessadas em participar poderão inscrever-se nos programas que estão agendados a partir de setembro, ligando para a Linha de Apoio na Demência da Alzheimer Portugal: 963 604 626.

O «Marcar o Lugar – Encontros no Museu» consiste num dos eixos do projeto «Na Primeira Pessoa – Projeto de Empoderamento de Pessoas com Demência», uma iniciativa para pessoas com demência, que tem como objetivo aumentar a sua qualidade de vida, autonomia e participação social, contribuindo ainda para tornar a sociedade mais inclusiva na Demência, habilitando-as a:

– Advogarem os seus direitos e contribuírem para a tomada de decisão sobre os assuntos que lhes dizem respeito

– Melhorarem a adaptação e gestão das emoções em relação à doença

– Ampliarem as suas relações interpessoais e o seu envolvimento em atividades com significado realizadas na comunidade

– Viverem numa sociedade mais consciente e inclusiva.

Museu de Lisboa

Vamos cuidar melhor dos nossos Maiores! ❤︎

Maiores são Pessoas mais velhas, Seniores, Pessoas idosas…

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Iniciativas para pessoas com demência

Em Coimbra…

Partilhamos hoje uma das muitas iniciativas que existem para pessoas com défice cognitivo ou alguma demência. Trata-se do programa “Eu no Museu” do Museu Nacional Machado de Castro em Coimbra.

“O projeto ‘EU no musEU’ resulta de um protocolo de colaboração entre o Museu Nacional de Machado de Castro (MNMC) e a Associação Portuguesa de Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer (APFADA) – Delegação do Centro, a partir do modelo de estimulação cognitiva aplicado pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA).
O público-alvo são indivíduos com défice cognitivo com espectro de alteração, que varia desde o défice cognitivo ligeiro com manutenção da autonomia funcional até à demência moderada.

Tem como objetivos gerais:

. Promover o bem-estar e a inclusão social de pessoas com défice cognitivo, demência e seus cuidadores

. Estimular ao nível cognitivo as pessoas com défice cognitivo, demência e seus cuidadores informais, mediante a fruição e (re)interpretação de obras de arte do MNMC

O projeto é da responsabilidade de uma equipa interdisciplinar composta por elementos de ambas as instituições, sendo a maior parte dos seus membros voluntários. As sessões decorrem uma vez por mês (segunda-feira), no MNMC, com dois grupos paralelos: para pessoas com demência e para os seus cuidadores.

Museu Nacional Machado de Castro em Coimbra

Vamos cuidar melhor dos nossos Maiores! ❤︎

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Cuidar com os animais de estimação

Animais de estimação e cuidar?

Os animais de estimação são facilitadores do ato de cuidar dos nossos Maiores. Quando se proporcionam cuidados aos nossos maiores, sobretudo em ambiente familiar, o Cuidador sabe que é o foco de atenção da Pessoa mais velha e o garante do seu bem-estar físico, social e emocional.

2021-07 - Lulu e os Maiores - Cuidar na Companhia dos Focinhos
Fotografia de Zen Chung no Pexels

Esta responsabilidade pode ser muito cansativa e esgotante, sobretudo quando o nível de dependência da pessoa vai aumentando.

Por outro lado, a intensa dedicação e compromisso do Cuidador, pode de uma forma inconsciente contribuir para que o Pessoa mais velha perca mais rapidamente a autonomia e as suas competências sociais, porque desenvolve uma dependência social e emocional, muitas vezes sem retorno. Neste contexto, …

… os animais de estimação podem ser um suporte muito relevante para o Cuidador…

… particularmente se este souber aproveitar todo potencial de afeto que as Pessoas mais velhas têm por esses animais e que lhe é correspondido incondicionalmente. 

Cães ou gatos?

Os animais, como o cão e o gato, que fazem parte da vida dos nossos maiores, são um suporte emocional, sobretudo em momentos de solidão e isolamento, e portanto os laços que se estabelecem entre eles são muito fortes. Estes laços não devem ser quebrados pelo Cuidador, antes pelo contrário, devem ser reforçados sempre que possível, para que os animais possam ser facilitadores no ato de cuidar.

Um cão ou um gato, proporcionam aos Maiores um objetivo e sentido de responsabilidade quando estes têm a necessidade de planear o seu dia em função das tarefas que são necessárias para cuidar diariamente de um animal, como por exemplo, escovar o animal, preparar as suas refeições, limpar a caixa de areia do gato, ou passear na rua com o cão.

Todas as atividades que o Pessoa mais velha possa realizar com o animal, devem ser incentivadas pelo Cuidador que, de preferência, não deve interferir na sua realização.

Ou seja, se hoje não escovou o cão, não faz mal, escova amanhã, ou se a caixa do gato não foi limpa à mesma hora, não faz mal, poderá fazê-lo no momento em que se recorda, de forma tranquila e sem censura. 

Exemplos de rotinas…

Exemplos de algumas rotinas no ato de cuidar de um cão, que são extremamente benéficas para os nossos maiores:

  • o passeio “higiénico” com o cão, mesmo que seja curto, evita que a Pessoa mais velha fique sentada e imóvel durante muito tempo ao longo do dia, e estimula a memória e a noção do tempo, porque tem que se lembrar que tem que ir passear o cão a uma determinada hora do dia, e além disso, promove o contacto social, porque durante o passeio surgem oportunidades de iniciar uma conversa com outras pessoas que também passeiam os cães, ou com alguém que quer fazer uma carícia ao cão;
  • escovar um cão ou um gato, além de ser um estímulo motor e de controlo dos movimentos, promove o contacto físico, proporcionando um momento tranquilo e uma sensação de bem estar, que se deve à libertação de dopamina e à diminuição da adrenalina, tal como mencionado em vários estudos.

O foco emocional de uma Pessoa mais velha pode ser partilhado entre o Cuidador e o animal de estimação, e portanto, todos os momentos, em que a pessoa está na companhia do seu animal de estimação, o Cuidador pode focar-se no autocuidado, que é tão importante!

Rita Faria da Companhia dos Focinhos

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Os meus Avós

2021-06 - Lulu e os Maiores - Os meus Avos
Fotografia de Ana Pico

As saudades que eu tenho dos meus Avós… só não me lembro do meu Avô paterno, mas recordo com todo o carinho os outros… todos diferentes, e igualmente carinhosos e atenciosos, nunca tive qualquer dúvida do amor que tinham por mim.

A primeira que perdi, foi a Avó paterna, tinha 11 anos quando ela partiu, tinha um cancro. Era muito nova e não acompanhei a sua doença, todos os domingos ia a sua casa, era “uma senhora”, estava sempre sentada atrás de uma grande mesa com o tampo em vidro, tinha-lhe todo o respeito.

Quando chegávamos íamos dar-lhe um beijinho, eu e o meu irmão, e ela ficava longos minutos a olhar para a nossa cara, segurando-nos o queixo, de uma forma muito ternurenta, não sei o que ela pensaria, mas sei que sentia muito carinho da sua parte apesar de manter sempre uma certa distância.

Os meus Avós maternos, estiveram sempre muito mais presentes, acompanharam-me até à minha idade adulta. Infelizmente, pela perda da minha mãe muito cedo, sendo ela a sua única filha, eu e o meu irmão tivemos que acompanhar a fase mais complicada das suas vidas, a fase final das suas vidas.

É doloroso ver a perda das capacidades de alguém que amamos e que conhecemos toda a vida como alguém capaz de cuidar de si.

Partilho aqui a  procura de um acompanhamento digno, que tantas pessoas passam e sentem a mesma dificuldade que nós sentimos. Tomámos a dura opção de procurar um “lar de idosos”, esta busca é muito dura, muitas portas que se fecham, ou por falta de dinheiro ou por falta de vagas ou por não ser uma boa opção. Ainda tentámos, no caso da minha Avó, que fosse acompanhada em casa, mas apesar de ter uma boa reforma, não era suficiente para manter duas pessoas, de forma a poderem revezar-se… e pensar que uma dessas pessoas de um dia para o outro deixava de aparecer? E se não fosse uma pessoa séria? Poderíamos abrir a porta e confiar plenamente em alguém para cuidar da nossa Avó? Todas estas dúvidas nos levaram a procurar uma resposta mais adequada, um ”lar de Idosos”, algo que desconhecíamos totalmente.

A nossa prioridade, no caso da nossa Avó, era estar perto de nós, que pudéssemos ir visitá-la todos os dias, que nos facilitassem o acesso em termos de horários, uma vez que ambos trabalhávamos com horários fora da norma, que tivesse um quarto individual, e obviamente que fosse bem tratada com toda a dignidade que merecia.

A minha Avó sempre nos falou de uma amiga e colega mais velha, bióloga como ela, que foi visitar num lar, na Holanda, e que descrevia como um quarto com uma porta para um jardim, com muita luz onde tinha um cadeirão e uma escrivaninha onde podia ler e escrever, referindo que seria assim que gostaria de ter um dia quando fosse para um lar. 

2021-06-Lulu-e-os-Maiores-Os-meus-Avos_2
Fotografia de Zane Lee no Unsplash

Apesar de termos conseguido encontrar um lar perto de casa, onde tinha o seu quarto individual, onde podíamos ir visitá-la fora da hora de visitas, não conseguimos o quarto com porta para o jardim… nem com muita luz…

Pela sua condição de saúde, início de demência, começou a ser difícil ler e escrever e faltou o poder estar no seu quarto sozinha, com as suas coisas, como tanto gostava e tinha idealizado, saliento que esta é uma regra comum nos lares, por questões de segurança, não salvaguardando a vontade e direito das pessoas, infelizmente.

A imagem que guardo dessas visitas, é uma sala, com cadeirões encostados uns aos outros, com pessoas mais velhas sedentas de conversa e visitas que não recebiam, ou eram escassas, e quando chegávamos éramos literalmente “sugados” pelas vizinhas de cadeirão, deixando a minha Avó muito triste chegando a ser dura e desagradável para essas senhoras.

Pergunto a todos os diretores técnicos dos lares, porque não ser uma prioridade, respeitar a vontade da pessoa mais velha? Na minha opinião é  obrigatório conhecer os interesses de cada pessoa e fazer todo o possível para ir ao seu encontro, de forma a que as pessoas mais velhas continuem a ter vontade de viver. 

Não tenho dúvida nenhuma que ir viver para aquele lar, apesar de trabalharem no sentido de darem o seu melhor, acelerou o processo de depressão e contribuiu para a vontade de desistir de viver da minha Avó, por deixar de ter interesses pessoais.

Imaginem alguém que gostava de estar sozinha a ouvir música clássica, ler a revista “National Geographic”, ver os canais  História, Odisseia, Mezzo, ler livros e escrever as suas notas e memórias, estar numa sala com pessoas a menos de um metro de si, que não conseguiam ter uma conversa que a interessasse, com a televisão ligada todo o dia, nos programas da manhã e da tarde, sendo tratada pelas funcionárias de uma forma, por vezes infantil.

Lembro-me da sua expressão furiosa, quando falavam com ela, como se fosse uma criança… É muito triste…. E é esta a realidade em muitos dos lares do nosso país! 

No caso do meu Avô foi idêntico, no sentido de não termos encontrado e não termos capacidade financeira para o colocarmos num lar onde os seus interesses e características fossem considerados, apesar da sua demência e de ter sido cuidado, pensamos nós, com carinho. 

É urgente perceber que dar comida, banho, roupa lavada e uma cama e algumas atividades de animação, que na maior parte das vezes infantilizam as pessoas mais velhas, não é suficiente para cuidar de uma pessoa idosa! 

A mudança é URGENTE!  Tratar de forma digna e diferenciada cada pessoa.

Ana Pico

Cooperadora fundadora da Lulu e os Maiores, CRL

Técnica Superior de Reabilitação e Formadora

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“Tratam-nos como se fossemos o inimigo…”

Este texto é uma pequena homenagem ao Senhor que me disse esta frase, que morreu no dia de 19 de Março, há 3 dias. Que sirva para que mais ninguém que viva em Lares seja tratado como o inimigo…

Homem-infeliz
Fotografia por Tim Doerfler no Unsplash

Trabalhei 18 anos num Lar de Idosos, como Técnica Superior de Reabilitação, responsável pelas sessões de Gerontomotricidade. Foi com esta experiência que me apaixonei por esta área de intervenção e pela população mais velha.

Infelizmente, foi também, com esta experiência, que me questionei diariamente sobre a forma como as Ajudantes de Ação Direta tratavam as Pessoas mais velhas…

Será que estas profissionais se esqueciam que considerando a fragilidade daquelas pessoas, era errada a forma como os tratavam? A postura de superioridade, de poder sobre os Pessoas mais velhas… Muitos ficavam totalmente dependentes destas profissionais, fosse para ir à casa de banho, fosse para lhes trazerem algo do quarto que tinha ficado esquecido…

O sentimento de incapacidade para mudar esta situação (naquele caso específico) acompanhava-me, lado a lado com a certeza que a forma de cuidar das Pessoas mais velhas tinha de mudar urgentemente.

Certo dia ouvi esta frase “tratam-nos como se fossemos o inimigo…” dita por um senhor de 90 anos. Esta frase dita por aquele senhor, tocou-me profundamente e tentei imaginar-me na sua pele…. Os sentimentos de tristeza, angústia, abandono, desprezo e revolta invadiram-me.

Como é possível?! 

Na minha cabeça só surgia um pensamento, a ideia que o inimigo é o alvo a abater, acabar com ele, exterminá-lo… como pode uma Pessoa mais velha sentir isto na sua própria casa? Sentia certamente que só estava ali para dar trabalho, para chatear e aborrecer as ditas profissionais… é muito triste.

Quero realçar que tenho toda a consideração por esta classe profissional, que conheci durante estes 18 anos, algumas excelentes profissionais, que gostavam do que faziam e tratavam as Pessoas mais velhas com todo o respeito, carinho e atenção, como merecem ser tratadas.

O que acontece em alguns Lares de Idosos, é essencialmente a falta de acompanhamento das Direções Técnicas, das responsáveis e/ou Encarregadas e acima de tudo a falta de formação profissional e de momentos de partilha e discussão de casos e situações específicas. 

É muito importante que estas profissionais sejam ouvidas e acompanhadas nos seus desafios diários, este é um trabalho muito exigente.

Não nos podemos esquecer que as Pessoas mais velhas, mesmo em situações de saúde fragilizadas, como no caso das demências, têm um passado, foram filhas, mães, avós, esposas, profissionais, no fundo pessoas como qualquer um de nós, que um dia, quando chegarmos a uma idade mais avançada, também quer ser bem cuidado e respeitado como pessoa.

22/03/2021, Ana Pico